segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Tecido Mágico de Sara.

Em um certo reinado, havia um homem que caminhava pela estrada de terra.
Era um tecelão mercante, pobre e revoltado com a vida. Sobrevivia fabricando em sua casa tecidos e vendia no centro do vilarejo.
Enquanto voltava por esta estrada de terra, revoltado por não ter conseguido bom preço na sua mercadoria, encontrou no
caminho uma pomba que estava com sua asa quebrada.

Neste momento, sentiu compaixão da pobre pombinha e a levou para casa. Fez em um canto do quarto, com alguns retalhos de pano um repouso para a pomba, cuidou da asa machucada imobilizando-a e a alimentou.

Após alguns dias a pomba estava curada e assim a soltou de volta para a liberdade que só o céu pode dar.

Enquanto vislumbrava a pomba voando, desejava um dia ser livre como ela. Para ele, ser livre era não ter os sofrimentos que tinha, mas sim ser rico, poderoso, reconhecido e respeitado. Só isso importava.

Passaram-se alguns dias desde que o mercante soltou a pomba. Estava ele, em sua máquina de tear preparando um tecido e eis que uma jovem bateu a porta.

O mercante se chamava João, rapaz rústico, porém astuto com as palavras. Admirado a convidou a entrar e perguntou quem era e o que queria. Não era nada comum aquela situação. Para ele era até um tanto que constrangedora.

Chamava-se Sara. Uma bela jovem, linda, de pele clara e cabelos negros. Estava perdida no mundo sem rumo, soube que naquela casa morava um tecelão e resolveu pedir emprego em troca de alimento e moradia.

João concordou de pronto com a proposta. Era um homem sozinho, somente dedicado ao trabalho e a falar mal da vida sem se preocupar em entender o contexto. Embora a garota fosse fascinante, linda e bela, de voz doce, isso não lhe chamou a atenção.

Veio apenas o seguinte pensamento:

“Ahhh... tendo alguém para me ajudar com os afazeres poderei produzir mais, quando estiver melhor mudar-me-ei para mais próximo do centro e mando esta infeliz seguir seu caminho”.

E a jovem, feliz pelo mercante tendo concordado, deu-lhe um abraço de gratidão e disse:

“Homem, sou muito grata pelo tanto de amor e cuidado que tiveste comigo. Por isso Eu te Amo e o servirei”.

Encabulado, João pensou que ela fosse louca por dizer aquilo, mas, não deu tanta confiança e logo voltou aos seus afazeres no tear e delegou afazeres domésticos a jovem Sara.

Passando alguns dias, estava ele voltando de uma de suas idas ao centro comercial do reinado muito nervoso e triste. Não tinha vendido nenhuma de suas peças e não sabia o que iria fazer para comprar suprimentos.

Em meios aos xingos e desabafos, sempre com a indignação por não entender por que enfrentava uma situação daquela, aja vista que se considerava homem trabalhador, honesto e esforçado, não merecia tal castigo da vida, a jovem Sara escutava e com o coração apertado disse ao mercante que poderia ajudá-lo.

Perguntou então a ele o que ele desejava de verdade.

“Desejo ser rico, poderoso, respeitável e reconhecido!”

Com sua doçura, ela o abraçou. Disse que daria isso a ele, mas o amor era mais importante.

Encabulado com a situação o mercante se afastou dela. Sentiu certo desprezo e no íntimo caçoou dela com essa história de amor, pois, tinha se desligado completamente deste sentimento. Somente a vida mercantil importava.

E Sara:

"Para que eu possa te ajudar, irei passar a noite trancada na sala onde está o seu tear, mas, em hipótese alguma entrará enquanto eu estiver lá."

João protestou, achando um absurdo aquela jovem querer se trancar no quarto com o único tear que tinha, sem certeza de nada e não podendo trabalhar na construção de suas peças a noite. Mas, olhando nos olhos de Sara, sentiu algo tenro e confiou na jovem, deixando permanecer naquela noite.

Sara agradeceu e disse:

"Faço isso por você, pois Eu te Amo. E você me ama?!"

João começou a rir, pensando que Sara fosse uma desvairada, mas não disse nada.

E naquela noite, Sara fechou-se na sala, usou o tear a noite toda e no nascer do sol saiu do quarto. Em suas mãos carregava um tecido lindo e maravilhoso. Nada visto em região alguma. Entregou a João e disse para ele ir até a cidade e vender a uma senhora de vestido azul que ele encontrasse.

João estava pasmo com o que via. Reconhecendo que o tecido era muito especial, tratou de correr para o centro, e sequer reparou na fisionomia de Sara que se encontrava muito cansada e debilitada.

Chegando lá, João tentava vender o tecido, mas ninguém o queria. Até que uma senhora de meia idade, usando um vestido azul se interessou pelo tecido e o comprou pagando-lhe bom preço. Esta senhora fazia parte da Corte, muito amiga do Rei e queria presenteá-lo com uma roupa. Tinha saído aos comércios para encontrar o melhor dos tecidos para confeccionar o presente para o Rei.

João voltou para casa feliz com o dinheiro que recebeu da venda. Pela primeira vez tinha recebido quantia elevada por uma peça.

Encontrando Sara logo lhe contou o seu dia e sua felicidade. Ela, com voz fraca disse que tudo aquilo era porque o amava!

João, logo saiu de cena dizendo: “Tah... lá vem você com esse negócio de amor de novo.”

No dia seguinte, ele procurou por Sara, querendo saber como tinha criado aquilo?
Ela disse que era segredo, não precisava saber e que tudo que importava era sua felicidade, tudo isso porque o amava.

“Lá vem você com essa historia mais uma vez.”

Passado alguns dias desde a venda, a senhora do vestido azul procurou por João em sua casa. Disse que o tecido foi transformado em uma roupa confortável para o Rei repousar. Disse o Rei que, desde que ganhou aquela roupa começou a ter sonhos maravilhosos e inspiradores. E que uma doença que o afligia foi curada em apenas uma noite. Tudo isto por conta daquela roupa, e o Rei paga o preço que quiser para ter mais um pedaço daquele maravilhoso e esotérico tecido.

João estagnou-se! Pasmem... Era tudo que queria. A oportunidade batendo em sua porta. Poderia ficar rico.

Ele dispensou a senhora e disse que iria procurar tão logo ela com o tecido e o preço estipulado por ele.

Assim que a dispensou, dignou-se a procurar por Sara que se encontrava atrás de casa, sentada olhando para o horizonte.

Ofegante e ansioso pediu a ela para fazer um pouco mais daquele tecido mágico.
Sara disse a ele que era muito cansativo e ela não se sentia bem, estava com saúde debilitada.

Depois de tanta insistência Sara concordou. Mais uma vez o advertiu a não entrar enquanto ela estivesse lá e disse que o amava. Desta vez ela também perguntou:

“João, você me ama?”

Encabulado e querendo fugir daquela indagação se evadiu da sala sorrindo e não a respondeu, apenas disse:


“Por favor, faça logo!”

No final da noite Sara entrou na sala e ali permaneceu a noite toda trabalhando no tear.

E João, deitado em sua esteira perguntava para si mesmo como ela fazia aquele tecido. Seria tudo de excelente se obtivesse aquele segredo para si.

Ao nascer do sol, Sara, muito cansada entregou a ele o tecido e perguntou mais uma vez se João a amava.

João sequer escutou. Apenas agradeceu rapidamente, tomou posse do tecido e correu para o centro em busca da amiga do Rei.

Encontrando a amiga do Rei, João apresentou o tecido e ela o levou até o Rei que de pronto os recebeu.

O Rei se encantou pelo tecido. Pagou-lhe preço alto por ele com ouro, que compraria mais do tecido, trocaria por terras e ainda o apresentou a Corte com status.

João não se cabia de felicidade. Via a tão sonhada oportunidade de obter tudo que queria já em suas mãos.

Após se embriagar com os membros soberbos da Corte, lembrou de sua casa e de Sara.

Resolveu então voltar. Não era sua vontade, mas retornou para que Sara fizesse mais do tecido.

Após chegar, encontrou Sara sentada em um banco muito fraca, doente e pálida.

Perguntou o que havia com ela rapidamente e antes que ela respondesse, João desviou o assunto contando tudo o que tinha ocorrido. Contou do encontro do Rei, da festa com a Corte e do pedido em levar mais do tecido.

Logo intimou Sara a confeccionar mais do tecido mágico.

Embora a aparência de Sara mostrasse nitidamente que seu estado de saúde não era bom, João sequer deu atenção a isso e a colocou na sala com o tear para que trabalhasse.

Sara, humildemente disse:

“Sua felicidade é o que me importa e me dá forças. Eu te Amo João. Você me ama?”

E João:

“Lá vem você mais uma vez com isso!
Te dou comida e abrigo, tudo que tens a fazer é me entregar o tecido amanhã cedo, assim, irei pedir em troca ao Rei terras e serei finalmente um Nobre.


Não se preocupa com minha felicidade?
Pois bem, dependo deste tecido para ser feliz!
Serei rico, poderoso, reconhecido e respeitado”

E Sara se fechou na sala para começar a confeccionar o tecido mágico, mesmo debilitada. Tudo por amor e novamente o advertiu a não entrar até que ela saísse pela manhã.

Mas desta vez, João em seus pensamentos chegou ao ápice da ganância. Não conseguia parar de imaginar como que Sara criava aquele tecido mágico. Queria a todo custo descobrir seu segredo e começar ele próprio a criar, assim, se Sara morresse ele continuaria.

Decidiu então, naquela noite, invadir pela madrugada a sala e descobrir o segredo.

E na madrugada, João a espreita da porta tomou força e invadiu a sala.

Encontrou Sara sentada, transformada. Ela tinha asas e de seu umbigo saia uma linha de seda ligada ao tear.

Este era o segredo de Sara. O tecido mágico saia dela.

Quando surpreendida, Sara logo cessou e chorando perguntou a João por quê a traiu, sendo que tudo que ela pediu era que não entrasse.

João ficou por alguns instantes catatônico.

E Sara:

“Tudo que eu queria era ser amada. Você nunca disse que me amava, sempre me desprezou, mesmo assim você me traiu entrando aqui quando tudo que eu queria era o seu amor e sua felicidade.”

João desesperado e arrependido pelo o que fizera:

“Perdoe-me Sara!! SIM... Eu te amo também. Muito!”

Sara levanta e diz:

“Agora não importa mais.”

Transformou-se em uma pomba e saiu voando pela porta e nunca mais voltou.

Quanto a João, os tecidos vendidos perderam seus poderes e se tornaram comuns o que ensejou a ira do Rei. Tomou tudo de volta e lhe deu vergonha e infâmia perante a Corte.

E João voltou a vida pior que de antes, pobre, envergonhado e arrependido por não ter dado valor a Sara e ao amor que lhe ofereceu.



Sergio Rodrigo

Embora esta fábula termine com um final relativamente triste para aqueles que se consideram amantes do romantismo, tomei as devidas para que entenda, em síntese, a relação de amor, confiança, oportunidade na vida.

Contudo, posso afirmar que a felicidade é baseada e concretizada nas decisões que tomamos ante a oportunidade.

Até onde conseguimos enxergar uma oportunidade? Ou até que ponto somos suicidas vislumbrando a passagem para a felicidade sendo levada ao vento e não fazer absolutamente nada?

Bem dizer, será que não enxergamos a oportunidade ou simplesmente achamos que sabemos o que buscamos quando na verdade não fazemos a menor idéia do que realmente queremos?

Em muitos casos, um inimigo feroz surge com veemência, responsável direto por todos nossos fracassos e frustrações. Encaramos a ele praticamente todos os dias no espelho e muitas vezes sem prestar atenção. É o EGO.

Buscar a verdade para sua opinião e não imputar sua opinião como verdade é a característica de todo aquele que é de fato humilde o suficiente para buscar sabedoria.

Perdido na vida é aquele que faz uso deste sentimento vaidoso, que alucina a razão a ponto de esperar por uma falsa justiça na esperança de ser favorecido ilicitamente.

Perdido sim também é aquele que possui uma falsa perspectiva de ser feliz e não faz vista, não presume isto em suas tentativas. São entediados.

Perdido ainda é aquele que, definitivamente, não acredita que o amor é mais que um sentimento, e sim uma ferramenta coletiva, mola propulsora para a tão sonhada “paz profunda”.

Mas se encontrar é muito difícil! Esta é sempre a desculpa...

Seja um ser único em suas condutas. Não tenha um ponto de vista firmado e conduta adversa, denota confusão e falta de conhecimento acerca da vida, de onde veio e para aonde vai. Sobreviver é instinto natural, viver de verdade é prerrogativa sua. Tenha coragem, busque! Seja propagandista da verdade e obreiro do amor.

Em suas condutas, procure não ferir a outrem. Quem fere com ferro será sumariamente ferido e quando isso acontecer, não reclame, pois é a justiça atuando.

Seja um verdadeiro infrator da Lei... de Gerson.

Enfim, tenha boas condutas para não ficar cego ante as oportunidades e busque agir. Somente consegue o louro aquele que se atreve... Mas faça sempre com amor. Oportunidades são várias, mas não para o mesmo momento, e assim passando, será um momento perdido, talvez crucial!

Eu te amo são mais que palavras: É AÇÃO! EXISTENTE E POSSÍVEL.

Preste atenção em quem lhe oferece a embriagues ilusória da Corte e quem tece um tecido mágico para você. Não o venda, se cubra com ele e descubra o que é a verdadeira magia.

Pax Et Lux.

Sergio Rodrigo

5 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Jéjo disse...

ERRATA.

Devido a pequenos problemas ante a confusão das ferramentas do blog, exclui sem intenção o comentário da Forista Jéssica.

Estava escrito assim:

"JÉSSICA DIZ:

LINDO!!!
___________________________________

Unknown disse...

Admiro-te ainda mais pelo texto! Tudo tem seu momento...

Henrique Matos disse...

Sergio,
fabula muito interessante e nos tras uma bela historia para refletir. Vou comecar a frequentar mais aqui!
Grande abraco

Felipe Oliveira disse...

Bem, esta história nos chama muito a atenção pois, o que pude intender realmente que nem sempre o que queremos e o que precisamos e quanto mais temos mais queremos...
É algo que nos faz realmente refletir se algumas de nossas atitudes valem mesmo apena.

Parabens Sérgio.